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A pesquisa da artista apresenta um novo modelo de sociedade chamado de “Modelo Contrassexual”, oriundo do filósofo transexual espanhol Paul Preciado. Neste novo modelo não existem os gêneros feminino e masculino, mas sim, o conceito de “corpos falantes” dotados das mais variadas potencialidades.

Na exposição a artista apresenta trabalhos bi e tridimensionais que (re)estruturam o corpo humano, no que a própria chama de “Nova geografia corporal”. “Uma vez que não existe mais os conceitos de feminino e masculino os corpos estão livres para serem o que quiserem ser.” explica a artista. Os membros que antes serviam para distinguir os gêneros e eram dependentes de suas localidades no corpo, como a presença de dois seios na parte da frente que o identifica como sendo feminino, e ausência deles no corpo masculino, agora estão livres para uma nova configuração geográfica do corpo.

A nova sociedade contrassexual apresenta corpos expandidos no sentido de que possuir seios, sendo dois ou mais, não é um requisito e uma característica especificamente do corpo feminino, mas sim do corpo em geral, bem como todos os outros órgãos genitais, não estão mais presos ao gênero, e sim relacionados somente ao conceito de corpo em geral.

Sendo assim vemos nas obras de Élle de Bernardini formas que carregam em si as ambiguidades dos gêneros, justamente o conceito que a artista se propõe a investigar de geografia corporal expandida, inclusive, reposicionando órgãos. Sua pesquisa pode até sugerir como será compreendido o corpo humano no futuro, quando os sujeitos não serão mais classificados por gênero.

A artista recorre ao uso de tecidos como pele e couro para simular na planaridade da tela a própria pele humana, tomando o cuidado de representar a diferente gama de colorismos raciais existentes. O uso do rosa e do azul alude à história de que uma e outra cor estão associadas ao gêneros, e deste modo, a artista representa partes do corpo feminino em azul e partes do corpo masculino em rosa, desmistificando o uso tradicional dessas cores no imaginário popular, e demonstrando a artificialidade de tais usos. A pele sintética atrai o espectador para próximo da obra seduzindo-o a tocá-la, a senti-la. Como o próprio corpo é todo ele uma zona de percepção, a tela é convertida ela também em uma zona tátil e perceptiva não só através do olhar, mas também do apelo ao toque.

A pesquisa de Élle de Bernardini está parcialmente embasada em suas próprias vivências como mulher trans. Aborda questões da história da sexualidade e da humanidade e as lacunas existentes em tais histórias, bem como a compreensão a respeito dos gêneros que excluem aqueles que não estão em conformidade com o esperado acerca do feminino e do masculino. O trabalho de Élle é propor, através da arte, um modelo de sociedade alternativo que tenta solucionar questões relativas à discriminação de gêneros em todos os âmbitos da sociedade.

Na esfera da arte reacende a discussão sobre a fetichizacão da tela como o objeto de maior consumo, assim como o corpo travesti e transexual é o objeto de maior consumo da indústria da prostituição e da pornografia. A artista canaliza toda a objetificação e fetichização que o corpo travesti e transexual sofre em telas que, por si mesmas, acabam se convertendo em objetos de fetiches quando são forradas com peles e couros, questionando o sistema que exclui as transexuais, mas é constantemente atraído por elas, e selvagemente as capitaliza.

Carollina Lauriano

curadora

 

Élle de Bernardini (Itaqui, 1991) vive e trabalha em São Paulo. Tem formação em ballet clássico pela Royal Academy of Dance de Londres. Sua produção permeada por sua própria biografia de mulher transexual. Suas obras abordam a intersecção entre, questões de gênero, sexualidade, política e identidade com a história da humanidade e da arte. Seu trabalho vem sendo exposto em instituições nacionais como, Museu de Arte de São Paulo/MASP, Museu de Arte do Rio/MAR, Museu de Arte do Rio grande do Sul/MARGS, Museu Nacional da República, Memorial da América Latina, MAC-RS, Pivô Arte e Pesquisa, Farol Santander, Centro Cultural São Paulo. Suas obras integram importantes coleções como, Museu de Arte do Rio Grande do Sul / MARGS, Porto Alegre. MAC-RS, Porto Alegre. MAC-Niterói, Rio de Janeiro. Coleção Santander Brasil, São Paulo. Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro. Museu de Arte Moderna do Rio, Rio de Janeiro. Fundação de Artes Marcos Amaro, Itu e Museu Nacional da República, Brasília.

 

De 11 de dezembro 2019 até 15 de fevereiro 2020.

Visitação mediante agendamento

Segunda sexta, 9-18h30 I sábado 10-14h, sempre

 

Galeria Karla Osorio

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