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As mostras individuais Como somos, da artista carioca Bel Barcellos e Seres significantes, do artista mineiro Rodrigo Mogiz, em exibição de 23 de novembro à 19 de dezembro, abordam a delicadeza do desenho bordado em diálogo com a subjetividade das relações humanas. Ambas têm curadoria de Isabel Sanson Portella, curadora do Museu de Arte do Rio de Janeiro.

Esta mostra inédita reúne a produção recente destes dois artistas em ascensão, apresentando desenhos bordados em diferentes tipos de tecido explorando diversas possibilidades conceituais e estéticas da tradição da costura. Integrando a exposição, os projetos MURO e VITRINE apresentam, em um painel de grandes dimensões, a hibridez da pintura do artista Julio Cesar Lopes.

Nas palavras da curadora Isabel Sanson Portella, “Bel Barcellos reuniu na mostra Como Somos obras que são bem mais do que divagações sobre a condição humana. Em todas há uma reflexão silenciosa sobre o cotidiano do ser moderno que enfrenta o difícil relacionamento com o outro. Abrigado ou aprisionado numa sociedade individualista, o homem tenta expressar suas aspirações e anseios em pequenos gestos de forma a não submergir na imensa multidão que o cerca. Foram esses momentos, tão reveladores do humano em nossos dias, que Bel captou com sua sensibilidade, transformou em arte e sempre irá emocionar a quem quiser seguir os pontos de seus bordados”.

Sobre a poética de Rodrigo Mogiz, a curadora nos sugere que “Como as imagens dos sonhos que precisam ser decifradas e não decodificadas, também a arte de Rodrigo Mogiz precisa de um olhar mais profundo para que se apreenda tudo, ou quase tudo, o que o artista nos oferece. A associação do bordado com a tatuagem, utilizada com intensidade em seus últimos trabalhos, insere-se no discurso da beleza e da dor. A dor de perfurar o tecido e a pele buscando a beleza, procurando deixar uma marca que signifique a individualidade. Os desenhos de Mogiz, criados com linhas, miçangas, pérolas e tintas, nasceram do desejo de discutir o artesanal e o erudito, desvendar signos procurando novos significados pessoais para os símbolos. São tantas as figuras e as possíveis associações que o expectador poderia ficar um tempo infinito diante dos trabalhos que encantam pela delicadeza do bordado e prendem a atenção pela diversidade, intensidade e ousadia dos temas.”

 Sobre os artistas Bel Barcellos e Rodrigo Mogiz

Bel Barcellos nasceu em Boston, formou-se artes cênicas no Rio de Janeiro e tornou-se Mestra artes cênicas, com louvor, pela University of Hull, Inglaterra. A obra de Bel Barcellos tem a figura humana e suas dualidades como o ponto de partida de suas pesquisas, porém, não é somente este o cerne do seu trabalho. Seu universo remete à um complexo território particular onde, através das linhas bordadas, surgem os limites, as escolhas, a divisão dos afetos, as nuances das relações humanas, o limiar entre sonho e realidade. Participa de mostras em museus e centros culturais e de feiras de arte no Brasil e no exterior, tem obras em várias coleções privadas e públicas, nacionais e internacionais, inclusive no MAR- Museu de Arte do Rio e na CIFO – Fundação Ella Cisneros, em Miami.

Rodrigo Mogiz vive e trabalha em BH. Bacharel em Pintura e Desenho pela Escola de Belas-Artes da UFMG, também realiza curadorias, performances e trabalhos comunitários. Sua obra autoral aborda poéticas que transitam entre o desenho, a pintura e o bordado, utilizando também aplicação de miçangas, rendas e alfinetes. Suas obras criam narrativas muito poéticas e delicadas, que exalam grande força e um extremo rigor criativo. Desde 2000, participa de exposições individuais e coletivas, salões e festivais em todo o Brasil, em instituições públicas e privadas. Entre os prêmios recebidos, destacam-se:  I Salão Cataguases-Usiminas de Artes Visuais – (2004), Prêmio CNI-SESI Marcantônio Vilaça para Artes-Plásticas (2009/2010) e Prêmio TRANSARTE (2015).

Eventos paralelos

Nesta edição, os projetos VITRINE e MURO apresentam um painel em grandes dimensões do artista brasiliense Julio Cesar Lopes, que mescla em sua pintura elementos abstratos a concretude dos símbolos gráficos por meio da assemblage. Julio Cesar estuda e desenvolve importantes projetos na Faculdade de Artes Dulcina de Morais, além de parcerias em espaços culturais brasilienses como o ECCO – Espaço Cultural Contemporâneo. Realizou mostras individuais em Brasília e São Paulo entre elas, no Museu Nacional da República/SEC, Rumos Visuais Itaú Cultural onde foi selecionado no Mapeamento Nacional da Produção Emergente 1999/2000, sobre Curadoria de Fernando Cocchiarale. Selecionado entre 84 jovens artistas plásticos brasileiros, pelo Projeto Rumos Culturais1999/2000, Itaú Cultural/SP, e  mostra Itinerante  por capitais Brasileiras.