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YANGÍ
de Moisés Patrício
Galerias 1e 2, Pavilhão I e galerias 4 e 5, Pavilhão II
Texto curatorial de Ana Beatriz Almeida Brasília (23 fevereiro – 15 abril 2021)

A Galeria Karla Osorio apresenta a exposição individual da artista Moisés Patricio que estará em cartaz até 15 de abril.
Sobre a exposição A exposição YANGÍ reúne um conjunto expressivo de obras em várias técnicas como pinturas, desenho, fotografias, esculturas, assentamentos e despachos. Ela ocupa vários espaços na galeria, inclusive a área externa nos jardins e a maior parte das obras foi produzida em residência artística de Patrício de mais de 40 dias em Brasília. Como diz o texto curatorial, de autoria de Ana Beatriz Almeida, que também estará presente na abertura,.. “Yangí , o Ésú primordial cujo corpo fragmentado ocupa os nove céus, dá nome ao conjunto de obras. Com o intuito de criar um espaço entre-mundos, as produções que compõem Yangí dialogam com éticas e estéticas silenciadas na modernidade. Desta forma propõe-se que as obras sejam experenciadas para além das regras de forma, volume e material que normalmente compõem o olhar sobre a arte contemporânea. Cada ponto situado no espaço expográfico corresponde ao corpo expandido do princípio de interação entre tudo que existe. Ao propor uma exposição-ebó, o artista-bàbálórìsà Moisés Patrício convoca o público a ampliar seu senso de experiência artística. Visto que os ebós constituem uma forma de alimentação de níveis supra-humanos de existência, ainda que detenham uma materialidade definida, sua finalidade prática é de natureza transcendental- sendo destinado aos ancestrais e orisas. Logo, enquanto comida devotiva, a exposição ocupa um lugar sacrificial, no sentido daquilo que se põe a serviço da coletividade, no ato de saciar uma fome que ultrapassa a dimensão da vida. Neste sentido, ao evocar uma exposição-ebó, propõe-se que as produções estéticas aqui presentes, tenham como finalidade provocar uma experiência ética que transcenda o próprio objeto. Transformando cada obra num veículo entre o presente e uma realidade secular expandida. Diante da emergência da morte (Iku) enquanto força limitadora e reguladora da humanidade, Moisés Patricio evoca tecnologias que aprenderam a negociar com o genocídio na construção do Estado-Nação. Ao evocar Yangí em sua capacidade de dialogar com Iku, o artista-bàbálórìsà retoma as lógicas de matriz africana, não como uma sub-categoria da racionalidade, mas como a única racionalidade possível. Diante da decadência em escala global da racionalidade cartesiana e dos modos de vida na modernidade, a exposição sugere uma iniciação do público na prática de ressignificar a vida diante da morte enquanto rotina. Esta prática coletiva dos povos de matriz africana é a tecnologia identitária que durante séculos têm possibilitado a vida para aqueles que nasceram em cativeiro. O rapto dos ancestrais como justificativa para o genocídio e a pobreza sistêmica demanda tecnologias de existência avançadas. Uma alquimia delicada entre sangue, transcendência e afeto. As diversas etapas deste processo estão nos contornos dos mariwos* – geometria que define o inicio e o fim do sagrado; nas imagens de iniciação e sacrifício, práticas de reconexão ancestral das comunidades de matriz africana; nas repetições da série Aceita?, um duplo expandido que, assim como Yangí, tem mais de mil reproduções; no assentamento de laterita vermelha, materialidade do próprio Ésú primordial. Por fim, em sua função de iniciador, Moisés Patrício se apresenta em Yangí sob o binômio artista-bàbálórìsà, no propósito de fundir partes da vida que não podem ser separadas, nos desafiando em nossa capacidade de negociar entre opostos. Enquanto uma exposição-ebó, busca-se, em última instância, apaziguar a sede de Iku, que tem feito da morte, não apenas uma rotina física, mas ética e estética de natureza psíquica, enraizada em nossas formas de existir. Num período em que Iku determina a tônica da vida, Yangí evoca a Iniciação, o Sacrificio e os Ancestrais . *palhas secas de dendezeiro, principal alimento de Ésú

Sobre o artista 1984, São Paulo | SP – Brasil Moisés Patrício nasceu na Zona Sul de São Paulo, mudou- se para o Leste mais tarde, próximo ao centro da cidade, local onde tinha muitas referências de economia, cultura e história, e também foi o local que deu a oportunidade de conhecer Juan José Balzi e teve o prazer de ser seu assistente. Moisés teve seu primeiro contato com a arte aos 9 anos de idade. É um artista visual e um sacerdote candomblecista, trabalha com fotografia, vídeo, performance, rituais e instalações em obras que tratam de elementos da cultura latina, afro-brasileira e africana. Desde 2006, Moisés realiza ações coletivas em espaços culturais em São Paulo. Formado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, compõe obras que tratam de elementos sagrados da cultura ameríndia e afro-brasileira. Uma característica significativa de seu trabalho é a alusão ao candomblé, para quem o sagrado passa pelo corpo e seu potencial manual. Entre as exposições das quais participou destacam-se: Diálogos Contemporâneos, no MUBE-SP (2021); “Escrito no Corpo”, coletiva na Carpintaria, Rio de Janeiro (2020); Histórias Afro-Atlânticas, MASP e Instituto Tomie Ohtake, (São Paulo, 2018); Bienal de Dakar no Museum Of African Arts (Senegal, 2016); “A Nova Mão Afro Brasileira” no Museu Afro Brasil (São Paulo, SP, 2014); “Papel de Seda” no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos – IPN Museu Memorial (Rio de Janeiro, RJ, 2014); Metrópole: Experiência Paulistana, Estação Pinacoteca, curadoria Tadeu Chiarelli, São Paulo – SP; “OSSO Exposição-apelo ao amplo direito de defesa de Rafael Braga” curador Paulo Miyada no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, SP, 2017) e “A pureza é um mito: o monocromático na arte contemporânea” na Galeria Nara Roesler, curadoria Michael Asbury. Desde 2006, realiza ações coletivas em espaços culturais na cidade de São Paulo, SP